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O melhor Pai do Mundo

Ser Pai é uma experiência que merece ser partilhada. Este espaço é dedicado a todos os Pais que receberam dos seus filhos o título de "O melhor Pai do Mundo".

21.Jun.16

Pai, não sei o que vou ser quando for grande

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Fazer escolhas e tomar decisões é algo que temos de lidar na nossa vida e tudo começa bem cedo. Para as crianças, a ajuda dos pais é fundamental para se orientarem e terem ao dispor todas as opções possíveis. Contudo, há decisões que influenciam o futuro.

Decidir sobre a área profissional é complexo. Quando temos 15 ou 16 anos estamos a tentar descobrir quem somos e o futuro ainda parece bem distante. É uma situação complicada, tanto para as crianças como para os pais.

Por definição, todas as pessoas têm uma vocação, algo que mais gostam de fazer e que se identificam. Toda a gente sabe que se trabalharmos numa área de que gostamos fazemo-lo mais motivados. Porém, encontrar essa vocação não é uma tarefa fácil. Por um lado, o que mais gostamos de fazer nem sempre pode ser uma profissão estável, vejam-se os artistas ou os jogadores de futebol, por outro lado essa área preferida pode não ser uma profissão viável, acima de tudo se a sua principal saída for o desemprego.

O meu ponto de vista é algo polémico:

1. Ao defender que as notas não são o mais importante do percurso educativo, tenho consciência que o nosso sistema de "seleção" é baseado nesse indicador, ou seja, existem notas mínimas para a escolha das áreas e isto condiciona a tal vocação. Trabalhar para a nota X é errado, condiciona em demasia o desempenho e restringe a visão ampla que o ensino deve ter.

2. Claro que quero que o meu filho seja feliz, mas não é por isso que vou deixar de orientá-lo na escolha da sua área de estudos. O tempo do "O meu filho é que sabe para que área quer ir" já passou. Temos de, como pais, ser pragmáticos. Há áreas onde a única saída é o desemprego e se esse for o caminho, não estamos a contribuir para a felicidade dos nossos filhos.

3. A nossa cultura ajudada pelo nosso sistema de ensino restringe a escolha a meia dúzia de áreas. Para muitos, quem não se forma em economia, arquitetura ou medicina, não tem um curso a sério. Esta ideia está ultrapassada e é perigosa, tanto para as crianças como para o país.Tomar uma decisão é assumir um risco, esta é a regra de ouro. Felizmente que hoje em dia, há mais hipóteses de voltar atrás, de completar mais do que um curso ou até virar para outras áreas mesmo depois de ter concluído uma licenciatura. Os jovens licenciados de hoje terminam os seus cursos com 21 ou 22 anos, se tirarem mestrado somamos mais 2 anos. Com 23 ou 24 anos estarão formados e motivados para trabalhar?

Deixo um conselho aos Pais. Ao acompanhar o percurso escolar dos seus filhos, não deixem de perceber como é que o mercado de trabalho se desenvolve não estando cingido ao nosso país e olhando para o Mundo. Recorram, sempre que acharem que vos falta informação ou mesmo confiança, a profissionais da área vocacional, psicólogos que sabem avaliar as características das crianças e conhecem bem a oferta dos cursos superiores.

Finalmente, o ensino superior não é o único caminho. Felizmente ainda temos o ensino profissional que, embora ainda conotado como ensino alternativo ao regular, tem características muito válidas para formar pessoas para o mercado de trabalho.

Em resposta à pergunta: devem os Pais influenciar a escolha do futuro profissional dos seus filhos? Eu digo que sim, somos tutores, somos orientadores e queremos que eles sejam felizes.

O Pai